
Depois de anos de estudos e dedicação, não há maior recompensa para um estudante do que ver o seu nome na lista de aprovados no vestibular. A sensação é de dever cumprido. Mas e quando você descobre que o seu nome é o primeiro da lista?
- Senti que foi resultado do meu esforço. Isso foi muito importante para a minha autoestima!
É o que diz Tiago Kenji Takahashi, atualmente médico oncologista do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e aprovado em primeiro lugar no vestibular da Fuvest em 2001.
Desde cedo, Takahashi já mostrava que veio para ser o melhor. Durante sua formação no ensino fundamental e médio sempre esteve entre os cinco melhores da sala. Caso semelhante ao de Vinicius Cifú Lopes, hoje doutor em matemática e primeiro lugar no Enem de 1999 e na Fuvest 2000, que sempre foi dedicado e interessado nos estudos.
- Meus colegas provavelmente me achavam muito bitolado, mas estavam enganados.
Ser aprovado no vestibular de uma universidade pública é uma tarefa difícil. O curso de engenharia civil, o mais concorrido da Fuvest 2012, por exemplo, tem uma relação de 52,27 candidatos por vaga. Ter o nome no primeiro lugar da lista então exige muita dedicação.
Para alcançar esse feito, Lopes começou a se empenhar desde o primeiro ano do ensino médio, estudando as matérias com mais profundidade e resolvendo questões de outros vestibulares. Ele decidiu priorizar a qualidade, estudando algumas horas por dia com muita intensidade, mas sem esquecer as horas de lazer, principalmente da prática de tênis, uma das suas paixões.
- Não me matei de estudar ou fiquei noites sem dormir lendo livros. Eu fazia cursinho e depois dedicava três horas do meu dia para estudar em casa, sempre com muita disciplina.
Camila Anna Hofbauer Parra, médica dermatologista do Hospital das Clínicas e aprovada em primeiro lugar para na USP (Universidade de São Paulo) em 2002, não era a melhor da escola e nem inteligente a ponto de não precisar estudar para tirar boas notas. Ela conseguiu o resultado no vestibular depois de muito esforço e dedicação.
- Para ser aprovada, eu tive que fazer dois anos de cursinho. Nesse período, estudei muito, seis horas por dia. Mas o esforço valeu a pena!
Famosos
Depois do vestibular, ela conta, os estudos não pararam. São várias disciplinas na faculdade, trabalhos, seminários, estágio... E tudo isso continua exigindo dedicação do estudante. Durante essa trajetória, carregar o título de “primeiro lugar da USP” pode ajudar em algumas situações e atrapalhar em outras.
Camila diz que ficou conhecida na faculdade, recebeu várias ligações, mas diz que isso passou logo. Takahashi conta que a pressão e a exigência aumentaram, mas ele conseguiu lidar bem com isso. Com Lopes, a posição alcançada no vestibular permitiu uma aproximação maior com os professores, que o incentivaram e ajudaram durante o curso. O único problema, segundo ele, foi a fama.
- Infelizmente, o destaque que eu recebi na mídia na época deu uma visão errada e negativa de mim a alguns colegas e professores, mas as amizades certas permaneceram.
Hoje, os primeiros colocados no vestibular mais concorrido do país, colhem os frutos da dedicação aos estudos. Camila está terminando a residência em dermatologia. Takahashi está se preparando para iniciar o doutorado. Ele quer continuar atendendo e manter o contato com os pacientes, mas sem abandonar a vida acadêmica.
Depois da faculdade, Lopes fez mestrado na USP e doutorado na Universidade de Illinois em Urbana e Champaign. Hoje, é professor da UFABC (Universidade Federal do ABC).
Dicas dos melhores
Experientes no assunto, os “campeões” do vestibular dão algumas dicas aos novatos nas provas de seleção. Lopes recomenda prestar atenção ao português e elaborar respostas claras nas questões dissertativas. Ele ressalta também a importância de ter respeito aos compromissos, isto é, atenção ao horário de fechamento dos portões e ao local de prova.
Takahashi diz que é preciso ter foco e bastante disciplina com os estudos mas, antes de tudo, é preciso conhecer a carreira para a qual você está concorrendo.
- Tenho vários amigos que se dedicaram e fizeram vários investimentos no curso de medicina, mas perceberam que estavam na carreira errada e hoje são fotógrafos, engenheiros, enfim, descobriram outra profissão. É muito importante conhecer a si mesmo.
A técnica usada e recomendada por Camila é utilizar fichas para resumir as matérias dos estudos. Além de fixar melhor o conteúdo enquanto escreve o material, fica mais fácil na hora de fazer uma revisão. Mas, segundo a médica, o principal é o esforço.
- Não tem muito segredo, tem que estudar bastante, mas sempre com muita determinação, garra e vontade de ser aprovado!
* Colaborou Bruno Oliveira, estariágio do R7
Fonte:R7.com